A 12 de agosto, Portugal vai assistir a um eclipse solar que não se repete há mais de um século, mas a experiência só é segura com o equipamento certo. O astrofísico Pedro Machado avisou que, sem óculos certificados, o risco de lesões oculares graves e irreversíveis é real.
O nosso país prepara-se para um espetáculo astronómico raro. A 12 de agosto, a Lua vai posicionar-se entre a Terra e o Sol, ocultando total ou parcialmente o disco solar consoante o local de observação.O último eclipse total no território nacional aconteceu em 1912, e o próximo só está previsto para 2144, o que torna este evento praticamente único na vida de quem o vai testemunhar.
Segundo o astrofísico Pedro Machado, comissário nacional para o Eclipse do Sol 2026, apenas duas aldeias do concelho de Bragança, Rio de Onor e Guadramil, vão assistir à totalidade do fenómeno, com a Lua a cobrir 100% do Sol.
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No resto do país e ilhas, incluindo Açores e Madeira, o eclipse será parcial, mas nem por isso menos impressionante.
Óculos certificados são obrigatórios
O alerta do astrofísico, ouvido pela SIC, lembra que olhar para o Sol durante um eclipse sem proteção adequada pode causar lesões na retina irreparáveis.A recomendação aplica-se a todo o país, do Algarve a Trás-os-Montes, e mesmo às zonas de totalidade, onde os óculos só podem ser retirados durante os escassos segundos em que o céu escurece por completo.
Se olharem para o sol, têm de olhar com os óculos, sempre. Em qualquer sítio, no Algarve, no Alentejo, em Trás-os-Montes (...) e mesmo onde há o eclipse total é só quando fica de noite que podem tirar os óculos durante 26 segundos.
Explicou Pedro Machado, esta terça-feira, em Bragança.
Os óculos adequados para este tipo de observação são certificados e deixam passar apenas uma milésima parte da luz solar, o suficiente para reduzir a intensidade a níveis seguros para o olho humano. Podem ser adquiridos em farmácias ou no Centro de Ciência Viva de Bragança.A mesma cautela aplica-se a quem quiser fotografar ou observar o eclipse com binóculos, telescópios ou câmaras fotográficas: sem filtros solares próprios, estes aparelhos ficam danificados e a observação direta através deles agrava ainda mais o risco para a visão.
O que esperar durante o eclipse solar.
Conforme já explicámos, além da escuridão repentina nas zonas de totalidade, o fenómeno traz outras curiosidades visuais.
O astrofísico Pedro Machado destacou as sombras em forma de crescente projetadas pela luz solar filtrada através das copas das árvores, um efeito visível em todo o país, dos Açores à Madeira.
É também esperada uma ligeira alteração no vento à medida que a temperatura desce com a passagem da Lua.
Nas zonas de totalidade, os poucos segundos de escuridão vão permitir observar estrelas a plena luz do dia e vislumbrar a coroa solar, normalmente invisível a olho nu.

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