Um novo relatório dos serviços de transportes de Toronto, confirma que a velocidade dos condutores subiu de forma considerável desde que os radares automáticos foram retirados das ruas da cidade, em novembro de 2025.
Os técnicos de transportes de Toronto analisaram 104 locais onde costumavam existir radares de fiscsilização automática de velocidade, equipamentos que multavam quem excedesse os limites de 30, 40 e 50 km/h.
Os dados comparam as velocidades registadas antes de novembro de 2025, mês em que o Governo do Ontário, liderado por Doug Ford, removeu os radares por considerá-los uma espécie de cash grab, ou seja, uma forma de arrecadar dinheiro à custa dos condutores, com as velocidades registadas no final do outono de 2025 e na primavera de 2026.
Segundo esses dados, a percentagem média de veículos a circular 11 km/h ou mais acima do limite passou de 2% para 8,1%.Nas vias com limite de 30 km/h, a proporção de infratores a 16km/h ou mais acima do limite saltou de 1,4% para 7,2%.
Nas vias com limite de 50 km/h, o salto foi de 0,5% para 2,9%, considerando o mesmo limite.
Segundo o relatório, os resultados variam muito de local para local, mas a tendência geral é de que em quase todos os pontos analisados a velocidade aumentou.
Reação do governo.
Já disse várias vezes: a velocidade mata. Tragam de volta os radares, isto é inaceitável. Agora temos dados.Afirmou Olivia Chow, presidente da Câmara de Toronto, em declarações aos jornalistas citadas pela CBC.
A remoção dos 150 radares que Toronto tinha instalados surgiu depois de 16 deles terem sido vandalizados numa única noite, no outono passado.
Os números confirmam o que a investigação já previa
Ao longo de 2025, uma das provas mais citadas a favor dos radares foi um estudo de julho desse ano, liderado pelo SickKids Hospital, que mostrou que os radares tinham reduzido a proporção de veículos em excesso de velocidade nas zonas escolares urbanas em 45%.Para Alison Macpherson, professora na York University e uma das autoras desse estudo, os dados são "bastante decepcionantes, mas não é surpreendentes".
Segundo ela, o excesso de velocidade não só aumenta a distância de travagem como agrava a gravidade do impacto em caso de colisão.
O próprio relatório de Toronto cita que uma pessoa atropelada por um veículo a 40 km/h tem 70% de hipóteses de sobreviver; a 60 km/h, essa probabilidade cai para apenas 5%.
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É por isso que damos tanta importância à velocidade; porque está associada não só a mais acidentes, mas também a piores resultados desses acidentes.
O relatório acrescenta ainda que as mudanças no comportamento dos condutores não se limitam aos locais exatos onde os radares foram removidos, estendendo-se a zonas mais amplas da cidade.
Segundo Jess Spieker, ativista da organização Friends and Families for Safe Streets, a mudança sente-se no dia a dia, seja a pé, de bicicleta ou de carro.
Parece-me que a mensagem foi recebida: agora que a consequência foi removida, está tudo bem em conduzir de forma imprudente.
Afirmou Spieker, acrescentando que isso alimenta "um sentimento de que os condutores não estão sujeitos a nenhuma lei".

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