O telescópio espacial James Webb detetou água e poeira de silicato em torno de IRS 3, uma estrela que se encontra nos últimos estágios da sua vida e está localizada a apenas 0,55 anos-luz de Sagittarius A*, o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.
A descoberta está a chamar a atenção dos astrónomos porque a região é considerada um dos ambientes mais extremos da nossa galáxia. A intensa radiação existente nas proximidades de Sagittarius A* deveria dificultar a sobrevivência de moléculas como a água.
Para perceber a dimensão da descoberta, o Sol está a cerca de 4,3 anos-luz da sua estrela vizinha mais próxima, Próxima Centauri. Já no centro da Via Láctea, as estrelas podem encontrar-se muito mais próximas umas das outras.
A IRS 3 possui cerca de seis vezes a massa do Sol e tem aproximadamente 72 milhões de anos. Actualmente, a estrela está a libertar as suas camadas exteriores, formando uma envolvente de material nas proximidades do buraco negro.
Os dados foram obtidos pelo instrumento MIRI, instalado no James Webb, que conseguiu captar um espectro infravermelho da estrela. A análise revelou assinaturas associadas a silicatos, indicando que a IRS 3 é, afinal, uma estrela rica em oxigénio.
Esta conclusão contraria uma classificação anterior, baseada em observações realizadas em 2008, que tinha apontado a estrela como sendo rica em carbono.
A presença de água é particularmente interessante. Segundo os investigadores, a forte radiação ultravioleta existente no centro galáctico deveria destruir moléculas antes que estas conseguissem acumular-se em quantidades significativas.
A descoberta pode ajudar a explicar um fenómeno conhecido como o “paradoxo das gigantes vermelhas em falta”. Apesar de existirem milhões de estrelas na região central da Via Láctea, poucas apresentam uma envolvente de poeira visível tão próxima de Sagittarius A*.
Uma possível explicação está na elevada taxa de perda de massa da IRS 3. A estrela estará a libertar material a uma velocidade estimada de cerca de 6 × 10⁻⁵ massas solares por ano, o que poderá permitir que a sua envolvente resista às condições extremas da região.
Observações anteriores realizadas com o ALMA já tinham identificado uma camada de poeira mais fria associada à estrela, formada por material que terá sido expelido há milhares de anos.
Os dados do James Webb revelaram ainda possíveis sinais de dióxido de carbono e hidroxilo, que deverão ser estudados com maior detalhe.
Para os investigadores, observar directamente a composição destas estrelas ajuda a compreender como os ambientes extremos dos centros galácticos podem continuar a ser enriquecidos por material libertado durante a evolução estelar.
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🌌🔭 O James Webb encontrou algo inesperado junto ao buraco negro da nossa galáxia: água.
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